Já ouvi pessoas dizendo, num tom de desaprovação, que meditar é uma forma de escapismo. Bom, pode ser que seja, mas num sentido positivo. O que os críticos estão querendo dizer, suponho, é que quando alguém medita está fugindo da vida real e de suas responsabilidades. “Tem tanto sofrimento no mundo, como é que você pode ficar sentado lá com os olhos fechados, todo calmo e relaxado? Você está só fugindo da realidade. Você devia estar aí fora fazendo alguma coisa prática em vez disso.

   Sim, concordo, estou fugindo, mas não DA realidade. Estou fugindo PARA a realidade. Estou fugindo, temporariamente, da prisão do fluxo contínuo de meus pensamentos desordenados (= mente cotidiana) e entrando num espaço calmo e aberto onde posso ver as coisas com mais clareza: Big Mind (Mente Grande), para usar o termo de Shunryu Suzuki (em Zen Mind, Beginner’s Mind).

   Quando a gente se distancia do fluxo incessante de eventos, de informações, de emoções, de problemas a resolver, damos a nós mesmos o espaço para respirar profundamente, ver as coisas claramente e calmamente, e agir efetivamente. A meditação dá poder.


Por Mike Watkins
Sócio-fundador do Inspire

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